Você comprou um apartamento, fez uma vistoria rápida e o eletricista disse a frase que nenhum reformador quer ouvir: "a fiação está no limite, melhor refazer tudo antes de mudar". O problema não é a decisão em si, que na maioria dos casos faz sentido. O problema é que você não tem nenhuma referência concreta para saber se o orçamento que vai receber é justo, exagerado ou perigosamente barato.
Este guia resolve isso. A seguir você encontra uma tabela com faixas de custo por metragem e por cenário, os fatores que mais impactam o valor final e o que olhar antes de assinar qualquer contrato.
O que significa "trocar a fiação" de um apartamento
Quando um eletricista fala em refazer a instalação elétrica, pode estar se referindo a coisas bem diferentes, e entender essa distinção evita que você pague por mais do que precisa, ou aceite um escopo menor que resolve o problema pela metade.
Troca parcial: substituição dos fios em um ou mais circuitos específicos, como o da cozinha, do banheiro ou do ar-condicionado. Indicada quando apenas parte da instalação está degradada ou subdimensionada.
Troca completa: remoção e substituição de toda a fiação do apartamento, incluindo quadro de distribuição, circuitos, tomadas e pontos de luz. Indicada em imóveis com mais de 25 a 30 anos que nunca passaram por reforma elétrica, ou em casos onde a fiação é de alumínio (padrão comum em apartamentos construídos entre 1960 e 1985).
Fiação de alumínio não é necessariamente um problema imediato, mas exige atenção. O alumínio oxida com o tempo e nas conexões, o que aumenta a resistência elétrica, gera calor e eleva o risco de curto. Em reformas completas, a substituição por cobre é a recomendação técnica padrão.
A norma que rege instalações elétricas residenciais no Brasil é a NBR 5410. Ela define critérios de dimensionamento de circuitos, proteção por disjuntores e separação de circuitos por função, como iluminação, tomadas de uso geral e circuitos dedicados para equipamentos de alta potência.
Tabela de custos: faixas de mercado na Grande SP em 2025
Os valores abaixo refletem faixas praticadas no mercado da Grande São Paulo em 2025, considerando mão de obra e materiais básicos (fios, caixas, disjuntores de reposição). Materiais de acabamento como espelhos, tomadas e interruptores de design específico são custo separado.
| Metragem do apartamento | Troca parcial (1 a 3 circuitos) | Troca completa com quadro novo |
|---|---|---|
| Até 50 m² | R$ 1.800 a R$ 3.500 | R$ 5.000 a R$ 9.000 |
| 51 a 70 m² | R$ 2.500 a R$ 5.000 | R$ 8.000 a R$ 14.000 |
| 71 a 90 m² | R$ 3.500 a R$ 6.500 | R$ 12.000 a R$ 18.000 |
| Acima de 90 m² | A partir de R$ 5.000 | A partir de R$ 16.000 |
Esses valores são referências de mercado para orientar sua negociação, não preços tabelados. O valor real do seu caso depende do estado atual da instalação, do número de pontos, do tipo de acabamento escolhido e do acesso às paredes (alvenaria versus drywall, por exemplo). Para saber o valor específico do seu apartamento, o caminho é uma visita técnica com levantamento in loco.
O que mais encarece o serviço:
- Apartamento em alvenaria maciça: abrir e fechar rasgos para passar eletrodutos custa mais do que em construções com paredes de drywall ou apartamentos mais novos com eletrodutos acessíveis
- Necessidade de aumentar o padrão de entrada de energia (responsabilidade da distribuidora, mas impacta o projeto)
- Circuitos adicionais para ar-condicionado, forno elétrico ou carregador de veículo elétrico
- Instalação de proteção contra surto (DPS) e diferencial residual (DR), que hoje são recomendados pela NBR 5410 e fazem diferença real na segurança do imóvel
O que costuma ser esquecido no orçamento
Quem está planejando uma reforma completa de apartamento tende a tratar a parte elétrica como item secundário, algo que "se resolve depois da obra". Esse raciocínio cria dois problemas práticos.
Primeiro: a troca de fiação precisa acontecer antes da pintura e, idealmente, antes do assentamento do novo piso. Abrir rasgos na parede depois que o ambiente está pintado significa retrabalho pago duas vezes. A sequência correta numa reforma completa é: demolição e alvenaria, instalações (elétrica e hidráulica), revestimentos, pintura, acabamentos.
Segundo: o escopo elétrico influencia diretamente o projeto de interiores. Onde você vai colocar a TV, quantos pontos de tomada o home office precisa, se vai instalar iluminação embutida: tudo isso precisa estar definido antes de o eletricista começar, porque mudar depois custa caro.
Outro ponto que passa despercebido: a aprovação do projeto elétrico pelo condomínio. Muitos prédios exigem que a reforma elétrica seja feita por profissional com registro no CREA e que o projeto seja apresentado à administração antes do início das obras. Vale chechar a convenção do condomínio antes de fechar o contrato.
