Você comprou o apartamento, tem o orçamento na mão e uma lista clara do que precisa ser feito: banheiro reformado do zero antes de qualquer móvel entrar. O problema começa quando você tenta contratar: o pedreiro não faz o elétrico, o eletricista não faz hidráulica, o azulejista aparece só depois que o pedreiro terminar, e ninguém confirma prazo porque depende do outro. Três semanas depois, você ainda está no primeiro orçamento.
A reforma de banheiro é, proporcionalmente, a mais cara e a mais sensível de um apartamento. Não porque o espaço seja grande, mas porque concentra três especialidades ao mesmo tempo: hidráulica, elétrica e revestimentos, todas com sequência obrigatória. Quando uma atrasa, trava as outras. E quando cada especialidade é de uma empresa diferente, o risco de atraso é praticamente garantido.
O que entra numa reforma de banheiro completa
Antes de falar em custo ou prazo, vale definir o que "reforma completa" significa, porque esse termo cobre realidades muito diferentes.
Uma reforma completa típica inclui: demolição do revestimento antigo (paredes e piso), impermeabilização de toda a área molhada, substituição ou reposicionamento de pontos hidráulicos (água fria, água quente e esgoto), adequação elétrica (tomadas, ponto de chuveiro, iluminação), assentamento de novo revestimento (paredes e piso), instalação de louças e metais (vaso, pia, chuveiro, torneiras) e acabamentos finais (rejunte, silicone, rodapé).
Uma reforma parcial troca o que está visível. Uma reforma completa trata o que está por baixo, que é onde os problemas reais costumam estar.
Se o seu banheiro tem mais de 15 anos e nunca passou por reforma estrutural, considere que a impermeabilização original provavelmente já falhou. Isso não é pessimismo, é o comportamento padrão dos materiais dessa época.
A sequência correta das etapas
Esse é o ponto onde mais reformas atrasam ou encarecem: executar etapas fora de ordem. A sequência abaixo não é preferência, é técnica.
1. Demolição e inspeção: Retirada do revestimento existente e avaliação do estado da alvenaria, tubulações embutidas e impermeabilização original. É aqui que surgem surpresas, e é melhor que surjam agora, antes de qualquer material novo entrar.
2. Hidráulica: Reposicionamento ou substituição de tubulações de água fria, quente e esgoto. Tudo embutido na alvenaria antes de qualquer revestimento. Alterar ponto de chuveiro ou pia depois de azulejar é demolir de novo.
3. Impermeabilização: Aplicada sobre a alvenaria limpa, antes do revestimento. A impermeabilização precisa de tempo de cura (normalmente 72 horas para produtos à base d'água, mais para sistemas mais robustos) e de teste de estanqueidade antes de avançar. Pular ou acelerar essa etapa é a principal origem de infiltrações em banheiros reformados.
4. Elétrica: Ponto de chuveiro (220V com disjuntor dedicado), tomadas com proteção diferencial, ponto de iluminação. A elétrica de banheiro tem exigências específicas de norma (NBR 5410) justamente porque água e eletricidade coexistem no mesmo ambiente.
5. Revestimento de paredes e piso: Assentamento de cerâmica ou porcelanato sobre a impermeabilização curada. A escolha do material aqui afeta diretamente o tempo de execução: porcelanato de grande formato exige mais cuidado no nivelamento e rejuntamento, o que aumenta o prazo em relação a cerâmica convencional.
6. Instalação de louças e metais: Vaso sanitário, pia, chuveiro e torneiras só entram depois que o revestimento está concluído e o rejunte curado.

